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Como escolher uma televisão

Tamanho e distância, resolução, tipos de painel, HDR, taxa de atualização, sistema smart TV, som e garantia: o que interessa ver antes de comparar preços de televisões.

Equipa Preço Fixe · Publicado a

Comprar uma televisão é uma das compras de eletrónica em que mais vale decidir primeiro o que se precisa e só depois olhar para os preços. Este guia explica, sem recomendar marcas, as características que mais pesam na escolha e como as comparar entre lojas.

Tamanho e distância de visualização

A pergunta certa não é «qual é o maior ecrã que cabe?», mas «a que distância vou ver?». Os guias de visualização usam o ângulo que o ecrã ocupa no campo de visão. A SMPTE recomenda um ângulo mínimo de cerca de 30 graus; a THX aponta para cerca de 36 a 40 graus, embora as fontes não coincidam nos números exatos. Num ecrã 16:9, isso corresponde aproximadamente a sentar-se a 1,2 a 1,6 vezes a diagonal do ecrã. Trate estes números como orientação: a preferência pessoal pesa mais do que qualquer norma. Meça a distância real entre o sofá e a parede, e não se esqueça das dimensões do móvel ou do suporte.

Resolução

Hoje, a maior parte das televisões de gama média e grande é 4K (UHD, 3840 x 2160). Full HD (1080p) ainda faz sentido em ecrãs pequenos, para um quarto ou uma cozinha. Resoluções superiores, como 8K, têm pouco conteúdo nativo; verifique se existe mesmo uma fonte de imagem que as aproveite antes de pagar a diferença.

Tipo de painel: LED, QLED e OLED

  • LED (LCD com retroiluminação): o painel de cristais líquidos é iluminado por LED por trás ou nas margens. Costuma ser a opção mais económica. O contraste depende do local dimming, isto é, de a retroiluminação escurecer zonas da imagem; procure testes independentes do modelo, porque o número de zonas anunciado não diz tudo.
  • QLED: é um LCD com retroiluminação a que se acrescentam pontos quânticos para melhorar a cor e o brilho. Não é uma tecnologia emissiva como o OLED, apesar do nome parecido.
  • OLED: cada pixel emite a sua própria luz e pode desligar-se por completo, dando negros muito profundos e bons ângulos de visão. Tende a ter menos brilho máximo do que os melhores LCD e tem algum risco de retenção permanente de imagem (burn-in) com imagens estáticas durante muitas horas; veja o que o fabricante indica sobre proteção e consulte testes independentes.

Em termos práticos: uma sala escura e o cinema à noite favorecem o OLED; uma sala muito luminosa favorece um LCD de brilho elevado. Estas são tendências gerais, e cada modelo deve ser avaliado individualmente.

HDR

HDR (alta gama dinâmica) permite mais contraste e brilho em conteúdos preparados para isso. Os formatos mais comuns são:

  • HDR10: a base de praticamente todas as televisões HDR; usa metadados estáticos para todo o conteúdo.
  • HDR10+ e Dolby Vision: acrescentam metadados dinâmicos, que adaptam a imagem cena a cena. Uma televisão raramente suporta todos.
  • HLG: formato pensado para emissões televisivas, definido na recomendação ITU-R BT.2100 (que define também o PQ usado no HDR10).

Atenção: a indicação «HDR» na caixa não diz, por si só, quão bem a televisão mostra esse conteúdo. Como referência independente, a certificação VESA DisplayHDR define níveis (400, 500, 600, 1000 e 1400) com valores mínimos de luminância de pico medidos em condições definidas, além de critérios como nível de negro, gama de cor e escurecimento ativo. Está mais presente em monitores, mas serve para perceber que «HDR» não é sinónimo de bom HDR.

Taxa de atualização e consolas

A taxa de atualização (60 Hz, 120 Hz) mede quantas vezes por segundo a imagem é redesenhada. Para ver televisão e plataformas de vídeo, 60 Hz chega. Para jogar a 120 imagens por segundo numa consola recente, procure:

  • entrada HDMI 2.1 (o cabo «Ultra High Speed» foi introduzido nessa versão e suporta até 48 Gbps);
  • VRR (taxa de atualização variável), que reduz o tearing e as falhas de fluidez;
  • ALLM (modo de baixa latência automático);
  • eARC, para enviar áudio avançado para uma barra de som.

Verifique quantas das entradas HDMI têm estas funcionalidades, porque em muitos modelos só algumas as suportam; essa informação consta da ficha técnica do fabricante.

Sistema smart TV

A plataforma de software determina que aplicações estão disponíveis, a rapidez dos menus e durante quanto tempo o fabricante envia atualizações. Antes de comprar, confirme na ficha do modelo se as aplicações que usa existem nessa plataforma. Uma alternativa é escolher uma televisão mais simples e acrescentar um dispositivo de streaming externo, que se pode trocar mais tarde.

Som

As colunas das televisões finas são, regra geral, limitadas. Se o som for importante, conte com uma barra de som ou um sistema à parte, e confirme que a televisão tem saída HDMI eARC ou saída ótica. Não confie nos watts anunciados como medida de qualidade.

Consumo energético

Desde 1 de março de 2021, as televisões vendidas na UE têm etiqueta energética numa escala de A (mais eficiente) a G (menos eficiente), ao abrigo do Regulamento Delegado (UE) 2019/2013. A etiqueta indica também a diagonal e a resolução, e a eficiência em HDR é declarada em separado, porque o consumo em HDR tende a ser superior. Compare a classe e o consumo em ambos os modos entre modelos do mesmo tamanho; as classes antigas («A+++») não são comparáveis com a escala atual.

Garantia e direitos

Em Portugal, a garantia legal de bens móveis novos é de 3 anos (Decreto-Lei n.º 84/2021). Nos primeiros 2 anos, presume-se que um defeito já existia à data da entrega; no último ano, cabe ao consumidor provar que já existia. O defeito deve ser comunicado por um meio que deixe prova (carta registada, email). Numa primeira fase, pode pedir-se a reparação ou a substituição. Guarde sempre a fatura, que identifica o vendedor.

Como comparar preços com critério

  1. Compare modelos, não nomes. A mesma série tem muitas variantes por tamanho; compare pela referência exata do modelo.
  2. Some portes e instalação. Televisões grandes podem ter custos de entrega diferentes entre lojas, e levantar na loja pode evitá-los.
  3. Veja quem vende. Confirme se o vendedor é a própria loja ou um vendedor externo num mercado, e as condições de devolução.
  4. Desconfie de descontos «de»–«por». Verifique se o preço anterior era real; o preço baixo de hoje pode ser o habitual.
  5. Confirme a data da informação. Os preços mudam; veja quando foi atualizado o valor que está a comparar.

No Preço Fixe, pode explorar as categorias e as lojas, e ler como verificamos os preços para perceber de onde vem cada valor apresentado.

Fontes

  1. https://www.whathifi.com/advice/how-to-calculate-the-right-viewing-distance-for-your-tv
  2. https://www.coolblue.de/en/advice/difference-between-oled-and-qled.html
  3. https://displayhdr.org/performance-criteria/
  4. https://www.hdmi.org/spec/hdmi2_1
  5. https://eur-lex.europa.eu/eli/reg_del/2019/2013/oj/eng
  6. https://www.deco.proteste.pt/familia-consumo/orcamento-familiar/noticias/garantia-bens-moveis-imoveis-prazos-como-acionar
  7. ITU-R BT.2100, Image parameter values for high dynamic range television (define PQ e HLG)
  8. Decreto-Lei n.º 84/2021, de 18 de outubro (garantia legal de bens, conteúdos e serviços digitais)